Ano onze do reinado de Hongzhi. Era uma bela manhã. Neste momento, Zhu Houzhao acabara de atingir a maioridade. Wang Shouren e Tang Bohu afiavam suas lâminas, preparando-se para os exames imperiais. A Pequena Idade do Gelo já havia se instalado, e o frio implacável castigava a terra sem piedade. Na mansão do Marquês de Nanhe, o filho tolo do senhorio, herdeiro legítimo do título, Fang Jifan... dava início à sua vida desregrada e sem pudor de desperdício e ruína.
Fang Jifan esfregou os olhos, olhando, perplexo, para as cortinas vermelhas de brocado diante de si; ao longe, via móveis que lembravam um banco de zitan redondo e uma escrivaninha de madeira escura. Diante do leito, estava parado um sujeito de chapéu azul e túnica, que o encarava fixamente, e então abriu um sorriso tão bajulador quanto irritante: “O jovem senhor acordou...”
O coração de Fang Jifan deu um salto. Então... ele tinha... viajado no tempo! Porque ele percebeu nitidamente que esse sujeito de azul falava o dialeto oficial de Fengyang. Como especialista em história da dinastia Ming, Fang Jifan tinha certeza absoluta: a disposição do ambiente, aquele homem estranho — nada disso seria possível em sua época, nem mesmo nas mais caras produções televisivas.
Em vez de sentir pânico ou medo, Fang Jifan sentiu um leve entusiasmo. Depois de tantos anos dedicado ao estudo, nunca imaginou que um dia poderia observar os antigos com seus próprios olhos!
Os antigos... Olhando para aquele sujeito sorridente, Fang Jifan não pôde deixar de pensar: então... é assim que eles eram?
“Estamos nos anos de Hongzhi?” Fang Jifan viu um quadro na parede, com inscrição de um calígrafo do período Zhengtong da dinastia Ming.
E a escrivaninha ao lado do leito, com seu desenho refinado, também chamou sua atenção: era um estilo típico do período intermediário da dinastia Ming, que deixou de ser moda depois da era Hongzhi. A escrivaninha parecia nova; portanto, este só poderia ser mesmo o tempo de Hongzhi.
O sujeito de azul confirmou com a cabeça, mas continuo