Quando Lin Xiu acordou, o mundo já era completamente diferente. Havia aqueles que podiam mover montanhas com as próprias mãos, erguer picos e levantar dólmens; outros bastava um olhar para enxergar a milhares de léguas, abarcando tudo ao redor; havia quem cavalga-se o vento, vagando livremente pelos céus e pela terra; e ainda aqueles capazes de se tornarem invisíveis, ocultando-se e aparecendo sem deixar vestígios... Para Xiu, tudo havia mudado.
No décimo ano de Xuanyuan, os cinco astros erraram seus caminhos, e no meio da noite, estrelas caíram como chuva, destruindo duas casas e ferindo uma pessoa.
— Crônica de Daxia, Volume XIII
Império de Daxia, Departamento de Observação Celeste.
O oficial imperial encarregado dos astros, com desdém, registrou o ocorrido em uma tábua de bambu antes de voltar às suas ocupações. Embora meteoros fossem raros, apareciam de tempos em tempos; além disso, a chuva de estrelas cadentes que caiu na cidade na noite anterior foi quase toda interceptada pelos guardiões imperiais. Só um desafortunado descendente de uma família nobre decadente sofreu ferimentos leves, sem maiores consequências.
Como oficial celestial, bastava ao homem registrar o evento de forma sucinta na tábua. Quanto ao azarado que quase perdeu a vida sob o meteorito, este sequer merecia ter seu nome inscrito nos anais da história.
Do outro lado da rua, em uma residência, alguns criados removiam cuidadosamente destroços de tijolos e madeira para fora do pátio.
Na noite passada, um meteorito caiu ali, destruindo um cômodo e ferindo o jovem senhor, que ainda permanecia inconsciente.
No quarto dos fundos, sobre um leito macio, um jovem de feições refinadas tremulou as pestanas.
Lin Xiu lembrava vagamente que, três dias antes, combinara com a garota que conheceu no bar de assistir juntos à chuva de meteoros das Perseidas naquela noite.
Preparou bife, vinho e velas, e quando foi à varanda ajustar o telescópio, viu um ponto de luz pelo tubo óptico.
Aquele ponto cresceu