Depois de atravessar para outro mundo, Mi Qiqi jamais imaginou que toparia com um homem completamente insano. Além de mantê-la aprisionada, ele ainda queria que ela lhe desse filhos. Que brincadeira era aquela? Você acha que é um príncipe e que isso te torna extraordinário? Por isso, ela fugiu o tempo todo. No entanto, ela se esqueceu de que, nessa era de monarquia, por mais que tentasse, jamais conseguiria escapar. Ela usou todos os meios possíveis, mas não conseguiu alcançar o que desejava.
Acordou e viu, por toda a montanha, um branco prateado, tudo coberto por nuvens e neblina; não havia céu, nem árvores, nem a imponência dos vales e desfiladeiros.
Mi Qiqi esfregou os olhos turvos e, quando despertou por completo, ficou boquiaberta ao ver aquela paisagem de gelo e neve sem fim.
Não, isso não estava certo. Ela não deveria estar gravando uma cena?
Onde era aquilo?
O vento gelado cortava a pele, e ela apertou os braços contra o corpo, sem conseguir se lembrar de que roteiro era aquele.
— Quem é você?
A voz masculina veio de cima dela.
Mi Qiqi ergueu a cabeça e viu um homem vestido com roupas estranhas e extravagantes. Ainda que não conseguisse distinguir bem a expressão no rosto dele, havia nele uma aura dissoluta e arrogante.
Seu olhar era de cobra: frio, úmido, escorregadio, e pousou sobre ela com tal intensidade que arrepiava a espinha. Ele observava Mi Qiqi caída no chão como se ela fosse uma presa.
— Quem é você, afinal?
— E você, quem é?
Mi Qiqi se levantou, bateu a neve do corpo e ergueu o queixo, desafiadora, para o homem montado a cavalo.
— Vossa Alteza. — Nesse momento, surgiu atrás dele uma fileira de homens armados de espadas; ao vê-lo, ajoelharam-se com respeito sobre um só joelho.
Mi Qiqi ficou atônita.
Pelo amor de Deus, isso não era um pedido de casamento. Que tipo de encenação era aquela?
O homem fez um gesto com a mão e apontou para Mi Qiqi.
— Levem-na.
— Sim.
Ao fim da ordem, dois dos homens avançaram e a imobilizaram.
— Ei, ei